20070905

Fim do primeiro ato

It never entered my mind
Ela ouviu todas aquelas coisas e enterrou esperanças e toda a agressividade embaixo de uma cara que não escondia lá muita coisa, mas ao menos era a cara que ela tinha naquele momento e ela não pode ser acusada de ser feia, ou até pode, mas isso não é culpa dela. E feia ela não é.

Ninguém disse que seria assim, mas ninguém te disse (honestidade agora, que não dá para ser diferente por causa de duas cervejas), que seria de algum outro jeito. E mesmo sabendo disso, você não esperava que assim fosse. Ao menos você queria ter tido tempo de se defender, sei lá do quê, mas se defender. Perder assim, sem saber direito as regras, foi ingenuidade sua, no final das contas.

E o que é mesmo que eu queria? Queria algumas coisas, nada muito absurdo, nada muito impossível. Mas é a história da minha vida: achar que o mundo é injusto.

Ele prometeu que não ia mais sofrer. Prometeu para si mesmo, que não ia mais se deixar enganar, que não ia mais entrar nessa de amor, que não queria mais saber de ser o certinho e de fazer as coisas direito porque, se seu pai lhe ensinou alguma coisa foi que ser certinho o tempo todo não traz vantagens a ninguém; logo ele, o vecchio que era probo e impossivelmente justo.

Ela perdeu a vontade de brigar e deixou que as coisas acontecessem. Resolveu seguir as frases de efeito do filme que a ex tanto gostava: "let the chips fall where they may." "This is your life, good to the last drop." "You have to give up." "This is your life, and it's ending one minute at a time."

Você perdeu a compostura sabendo que ia se arrepender depois. Disse o que queria, ouviu o que não estava preparado para ouvir, mas foi até o fundo e saiu querendo sumir. E sabendo que, de onde estava, não havia muita escolha a não ser respirar. Mas tinha de respirar…

Eu chorei. E não consegui dormir. E fui trabalhar no dia seguinte, que era o que me restava, e deixei de pensar. E deixei de achar. E deixei.

Ele se matou.

No fundo, nós todos buscávamos uma coisa só. Mas sempre buscamos nos lugares errados, ou do jeito errado. E isso nos irmanava de alguma forma bizarra e descabida. E nos consolava o fato de não estarmos sozinhos. Mas, fundamentalmente, sozinhos sempre estivemos.

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