U.

U. fingia não saber o que fazia. U. estava perdida e me achou perdido. Não acreditava no que eu lhe dizia e me achava teimoso, infernal. U. era mais nova, bem mais nova, e isso não fazia a menor diferença. U. era mais alta, bem mais alta, e nenhuma diferença isso fazia.
Havia alguma coisa em suas negações que nunca soaram convincentes, mas eu sempre precisei me convencer de que ela dizia o que sentia. Quando seus olhos e seu bico diziam o contrário.
U. me fez acreditar em coisas perigosas como amor, instinto, vida, bobice, felicidade. Periguenta, essa mulher.
Quando U. cedeu, a coisa toda se mostrou mais impossível e mais real que qualquer das "coisas" que eu já tivera. U. era intensa e eu respondia a cada faísca. Quase botamos fogo em alguns lugares, mesmo quando não nos tocávamos.
E encaixava. E era bom. E era só o que eu queria.
Amor infinito, U.
Como você conseguiu?

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