
Cangaro Giallo, você consegue me deixar com fome? Ainda estou na meia abobrinha e na mísera latinha de atum, sem vontade pra mais.
Eu consigo, mas acho que não à distância… Hm, já sei.
Quando você vier a São Paulo eu vou te fazer um frango à indiana macerado no iogurte, com um pesto de gengibre e alho. Frito os 238 tempeiros em azeite, reservo, frito as cebolas cortadas miudinhas e as puxo no mel. Depois, junto tudo e deixo cozinhar um pouco.
O cheiro que sai, nessa hora, sempre causa um abalroamento na Teodoro Sampaio, ou alguém se apaixona na Arthur de Azevedo. É batata.
Aí eu junto curry que, mais que o sabor divino, dá uma cor linda. Linda. E tampo.
Fica ali, o frango super-secreto conhecido, por enquanto, pelo cheiro apenas, e começo a fritar as parathas, que preparei durante toda a tarde, trabalhando a massa e pensando a moça. A paratha é feita de massa folhada, o que significa que é necessário mais tempo trabalhando a massa. Assim como a moça. Não se pode apressar essas coisas.
Tem-se que trabalhar a massa com firmeza, com carinho, com destreza, até dar o ponto. Até o ponto em que se sabe, em que se sabem: moço, massa. Moço, moça.
Uma vez prontas as parathas, cheirosas de ghee, batemos a manga, o iogurte e a gota mínima de essência de rosas e teremos o mango lassi de fazer a moça se deleitar olfativamente, de se-lhe abrirem os poros, de dentro para fora. De lhe fazer sensível.
Agora seria impossível à moça outro pensamento que não a boca cheia de pequenos pedaços de alma do moço, pequenas atenções que ela sabe, são dela, e dela somente. Extratos de olhares e todo o cheiro do mundo.
Mas não queremos, os dois, a saciedade. Há sempre que se ficar com uma pontinha de querência
à mesa
à cama
vida à fora.
Porque serão tantos os pratos e os sabores de sorvetes e as músicas e cidades não vistas, e serão tantos os gozos e os risos, que não seria justo isso acabar.
Insatisfação infinita, até quando queira a mocinha.