Contexto: Em 1994, no I EPA Super-Hero Comic Con, Sergio Miranda conversou brevemente com Joe Kubert, uma das lendas dos quadrinhos de super-heróis e um velhinho bastante simpático, ao contrário de Chaykin e Eisner.
 

Kubert esbanja simpatia.

sergio: O que você acha dos quadrinhos de hoje em dia? Dessa história de "quadrinhos para criança", "quadrinhos para adolescentes"…
kubert: Eu faço quadrinhos para mim [repete a frase 2 vezes]. Não faço quadrinho para jovens, não faço quadrinho para ninguém — eu faço o que gosto. Espero que as pessoas gostem, para poder continuar fazendo. Mas o que faço é para mim.
sergio: Me contaram que você esteve na guerra, na Itália…
kubert: Nunca, nunca aconteceu… [risos]
sergio: Você desenhou muitas histórias de guerra. O que você acha das guerras, dos exércitos? E das histórias de guerra que você fez?
kubert: As histórias de guerra que fiz quando era mais novo eram histórias que eu achava que não deveriam mostrar que a guerra é uma coisa boa. A guerra é terrível. O único motivo pelo qual alguém deveria estar em uma é a obrigação. Eu servi o Exército — não porque eu queria, mas porque fui obrigado a fazê-lo.
Então em Sargent Rock, que desenhei durante muito tempo, passei a escrever e desenhar histórias que mostrassem isso. Mostrassem que as pessoas estavam lá somente por obrigação. E no final de cada uma botava um aviso: "Não faça mais guerra" ("Make war no more").
sergio: Aluns desses novos desenhistas, os mais quentes, saíram da sua escola…
kubert: Sim, inclusive meus filhos.
sergio: Quais são seus novos projetos?
kubert: O Justiceiro.
sergio: Só Justiceiro?
kubert: Estou acabando agora. É uma minissérie em seis capítulos. Deve sair em agosto.
sergio: Algo mais?
kubert: Ainda não decidi.
sergio: Espero que você não fique desempregado. [risos]
kubert: É só questão de escolher um projeto.